11 de outubro de 2015



Ela vinha dalí, daquela esquina, sempre surgia com um sorriso no rosto e o coração na mão. Sempre com os mesmos chinelinhos, ela era a garota de domingo, quando me avistava apressava um pouquinho o passo e desviava o olhar distraída. Quando víamos-nos aos domingos, eu a estranhava, sempre aquela cara de sono, aquela preguiça estalada, aquele shortinho desbotado, o cabelo ao vento. De segunda à sexta era coque, batom e salto alto... 

Eu estranhava, porque até então, não sabia que era dono de seus suspiros. Não imaginava que a tinha em seu estado bruto, que tinha canto em seu delicado coração. Quando a via sorrir e mexer no cabelo daquela forma... Eu sabia que beijava e possuía uma peça rara. Ela pensava tanto, nunca entendi como sempre chegava a conclusão de que queria estar ali ao meu lado.

Porque ela nunca me amou.

Ela nunca me amou porque ela já era o próprio bem. Sempre que vinha ou quando ia embora, se equilibrava em sua corda bamba de sentimentos e emoções. Ela queria-me bem. Ela queria-me em paz. Uma paz que sua cabeça tão confusa, medrosa, tão atordoada e sem certezas, não poderia nunca proporcionar. Seu jeito não lhe permitia falar demais, tampouco me perturbar com sua filosofia. Queria mesmo estar pronto para ser afortunado com um pouco daquele alento que ela carregava dentro de si, sempre espancando-se, curando-se, caindo, levantando.

Nunca esteva pronta para estar comigo, mas mesmo assim ela vinha, porque queria, sabia bem que o que tínhamos eram apenas fragmentos daquele curta que é a vida. Ela ria mesmo nervosa, ela compunha uma canção triste enquanto nos beijávamos. O que tínhamos é como areia que se esvai pelas mãos, nunca, de forma alguma, poderia ser possuído. Sentíamos as finas cócegas na palma da mão, grão por grão... E o cheiro e nossos olhos pousados um no outro dando uma espécie de calma, de sentido, de que estávamos vivos.

Sempre que ela sentava ao meu lado, eu sentia em seu silêncio e em sua paz, que ela era uma garota completa, que tinha mais que a mim, a própria companhia. Não desperdiçava palavras e tinha cuidado com o coração, ao mesmo tempo que vivia sua vida como quem não se importava com nada, tão organizada, tão contraditória. Aquilo que vivemos fez sentir algo que não era amor, parecia algo diferente e tão melhor. Algo que você nunca iria entender, porque nunca viu aquela menina virar a esquina com aqueles chinelinhos.

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2 comentários:

  1. O amor é um encontro fortuito entre eternos desencontrados.
    GK

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  2. Só quem sente entende... bela história. Escolheu uma bela trilha sonora, flor! :)

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