27 de setembro de 2015

Eu poderia escrever agora, sobre o eclipse, sobre o trabalho, sobre a conclusão da aula de ontem... Eu poderia pesquisar e chegar a conclusão da maior polêmica da semana. Mas quando eu paro e sento, tudo que penso é isso: eu gostava dele. Eu sei que meu coração não contribui com a humanidade, que meu capricho não colabora com a vida em sociedade. Mas eu não queria mesmo nem saber. Era como uma certeza, um dom que corria em minhas veias, que transfuso através da escrita.

Mas era um sentimento que não dava vida, não dava nada. Apenas acontece que, quando sentimos muito que queremos alguém, faz-se necessário escrever, ainda que uma ou duas linhas, meu jeito de eternizar o que me parece que convém. Ainda que agora, sinto que meu tempo está perdido por ceder a essas palavras que escrevo.

Sei bem que a poesia nunca nos fez gênios, sei bem que meu gênio nem sempre me fez poeta. Eu sou um mar de especulações que não cabem em versos, que não se encaixam nas estrofes. Sou desconcertada. Mas por um segundo, o que acontece no intervalo entre duas imperfeições, eu apreciei um momento muito bom: me enxerguei sorrindo nos olhos dele.

E era sobre isso que meu mundo girava. Foi o poema que decorei. Como eu podia gostar tanto de vê-lo ali, simplesmente vê-lo fazendo parte da minha vida? Fiquei com medo, não de perde-lo, mas sim de perder minha vida e não poder mais ter esse momento. E a cada dia, sem querer, me perdi um pouquinho.

Quando dei por conta, estava totalmente perdida, afundada num mar de discórdia. Eu sentia, mas parecia que sentir não era suficiente. Foi aí que dei por mim, que virei uma indecisão, e não tinha mais certeza de nada. Inclusive de amar. E parece que me perder, foi essencial, para que pudesse me encontrar.

Mas eu gostava tanto dele, hoje me lembrei. Mas não sei se penso ou se realmente isso aconteceu. Se ele é rastro da memória, ou uma teoria baseada predominantemente no meu raciocínio abstrato. Eu achava que gostava quando ele me tirava pra dançar, quando me dava colo no fim do dia, quando fazia acontecer coisas que não aconteciam. Ou só gostava de ver a mim, em seus fundos olhos castanhos.

Desculpe o amor, perdoe-me a poesia. Penso até hoje que gosto mais de mim.

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6 comentários:

  1. Sei bem como é esse sentimento de desilusão amorosa e indiferença.
    Às vezes a gente não controlo os sentimentos e o coração.

    http://www.jj-jovemjornalista.com/

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  2. Queria eu poder me expressar tão bem assim com palavras que, mesmo simples, são gigantescas no sentido! ♥

    Beijos,
    http://daniperere.blogspot.com.br/

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  3. Não raro só faz sentido quando já perdido.
    GK

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  4. Seus textos sao sempre lindos Su <3
    Vc tem alma de poeta :3
    b-uscandosonhos.blogspot.com

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  5. menina, que texto incrível! teve um trechinho que eu amei e vou guardar pra vida: "Mas por um segundo, o que acontece no intervalo entre duas imperfeições, eu apreciei um momento muito bom: me enxerguei sorrindo nos olhos dele"

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  6. Muito lindo o texto. Expressou uma situação que muita gente vive/viveu/viverá. Parabéns!
    http://textosraquel.blogspot.com

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