23 de abril de 2015

books

Janeiro é o mês mais trabalhoso na livraria. Os pais chegam a nós, atendentes, e nos entregam um papel timbrado com a denominação de alguma escola, contendo uma lista enorme de livros para o ano letivo. Como sempre estudei em instituição pública, nunca fui familiarizada com esse tipo de lista. Ganhamos todos os livros didáticos, e alguns anos tivemos apostilas e também kits com livros paradidáticos. Eu sempre fui grata por isso, já que o sistema é falho e geralmente não atende a todas as escolas por igual.

Mesmo com todos os contratempos, o primeiro livro que li foi da biblioteca da escola. E alguns anos depois, o livro que "me escolheu" e me fez embarcar de cabeça nesse universo literários foi um dos três primeiros livros que ganhei do governo. Por isso acabei pegando gostos por literatura brasileira, clássicos e poesia, que era geralmente o que vinha nos kits que recebíamos. Erico Veríssimo, Manuel Bandeira, Machado de Assis foram alguns dos primeiros autores que tive contato. Com isso acabei desenvolvendo esse gosto por clássicos, que fez com que "obras obrigatórias" não passassem de mais um belo livro que eu apenas queria ler.

Mas não falamos muito sobre "qualidade" de leitura, pois vinha aprendendo e, hoje minha chefe reforça, que por mais "bobo" que seja um livro, ele sempre contém uma mensagem e uma lição por trás. Vai depender do leitor e suas percepções, pois estamos sempre aprendendo a "ler" a vida, e nossas experiências com as obras tem tudo a ver com isso. Por isso, não desvalorizamos nenhum tipo de leitura, pelo contrários, sempre incentivamos mais e mais.

incentivo ou obrigação
O Diário de Anne Frank, O Pequeno Príncipe e Meu Pé de Laranja Lima são adotados por vários colégios, não por acaso, sendo livros que trazem uma bagagem cultural incrível a quem estiver disposto a receber, digo, são livros que deve-se ler não apenas como entretenimento e sim com a mente e o coração abertos para entender melhor (1) a vida-comum em meio a guerra,  (2) as lições mais simples da vida que esquecemos ou (3) a realidade do menino pobre que com apenas 5 anos sofre como um adulto, por exemplo.

O que eu pude notar é que as escolas particulares muitas vezes mesclam os paradidáticos com livros de leitura, algum tipo de estratégia para atrair os possíveis leitores indispostos. Muitos pais reclamam na hora de comprar os livros, geralmente eles estão na faixa de R$ 40,00 justamente por serem paradidáticos. São livros que não contém nenhuma atração na capa e a maioria são fininhos mas, sem dúvida, eles contém tesouros entre suas páginas. Por outro lado, quando o livro é grande, os pais acham que as escolas estão "abusando" e até mesmo caçoam e duvidam da capacidade de seus filhos lerem os livros (já que eles mesmo não conseguem).

Mas cá entre nós: a criança, quando em contato com um livro, se apaixona. Minha irmã mais nova é prova disso. Sempre a incentivei e hoje ela escolhe sozinha na biblioteca os livros que quer ler. O tamanho do livro nunca assusta a criança. Aos 10 anos minha irmã já leu um livro de 300 páginas e me contou cada detalhe.

Alguns dos títulos que me deixaram surpresa de ver em listas escolares:

incentivo
Se na minha escola pedissem para eu ler "O Lado Mais Sombrio" para fazer alguma prova, eu compraria a trilogia toda de uma vez! Ou então uma obra de John Boyne? E que grande estratégia da escola que adotou o primeiro livro da saga Percy Jackson.

Vocês acham que dá certo esse tipo de "incentivo"? É muito complicado falar sobre isso, já que é muito difícil alguém desfrutar de uma leitura quando se sente obrigado a ler. Mesmo assim, é muito mais fácil gostar de ler quando se começa com um livro de linguagem fácil e que dê pra entender, sem ser cansativo.

Um fato engraçado: Nessa onda de livros para escola, já vieram pais procurarem por 50 Tons de Cinza alegando que os filhos disseram que era livro para prova (chega a ser cômico!) e não parando por aí, essa tática é muito usada pelos alunos para fazerem os pais comprarem livros, que sempre ficam confusos quando se deparam com as mil páginas do Stephen King que "a professora pediu pra ler" e etc. (e claro, não é verdade)

Esse post tem várias referências legais sobre os livros citados:


Esse foi o papo de hoje. Até amanhã! ♥
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14 comentários:

  1. Acho que é muito importante na escola incutir o gosto pela leitura, é importante cada vez mais dar a conhecer essa prática cada vez mais jovem. Uma pessoa evoluiu bastante a ler um bom livro :)

    http://ummarderecordacoes.blogs.sapo.pt/

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    1. é verdade! Livros nos ensinam a ler a vida :}

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  2. Eu comecei a ler bem pequena, com incentivo dos meus pais. A minha escola sempre teve trabalhos voltados para leitura, então isso ajudava bastante. Quando estava no 7° ano mudei de escola, e lá encontrei uma realidade bem diferente. Pouco incentivo (apenas um livro era pedido por ano) e ninguém frequentava a biblioteca. Na época, tinha começado a ler Percy Jackson e por isso meu vício estava enorme. Eu insistia bastante, e com isso arrastei muitas pessoas para biblioteca da escola. Minha irmã também lê bastante (ela tem 9 anos), tudo por conta do incentivo dos meus pais e da escola. Acho que assim que deveria funcionar: livros desde pequenos, para que quando chegassem no fundamental pudesse ser pedidos livros maiores, e no ens. médio (quando já estamos com um vocabulário melhor), os clássicos fossem apresentados: mas não é só jogar para o aluno ler - trabalhar a história e contexto, para que não se torne algo "chato" de ser lido.

    Amei seu post, e concordo com tudo o que você falou, e acho que mais pessoas deveriam tratar deste assunto! Beijos!

    http://estacaocomcor.blogspot.com.br/

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    1. Cada pessoa tem uma história pessoal com a literatura, mas essas histórias tem muito em comum quando nos sentimentos incentivados a ler algo, e não "obrigados". Concordo com o que disse, se fossemos incentivados desde pequenos seria mt mais fácil.

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  3. Tomara que eu esteja errado, mas sempre cri que a obrigatoriedade da leitura, principalmente na adolescência, tende a torna-la desinteressante, razão por que o incentivo a caminho dos livros deveria ser feito de outra forma. É que comigo foi assim, sabe, Suzana? Tornei-me, e sou, um devorador de textos, mas só depois dos 20 anos de idade. Nos tempos de colégio, odiava o que me era enfiado goela abaixo. Por outro lado, não sei, vc decerto saberá o dizer melhor, tenho a impressão de que o sexo feminino descobre mais cedo o prazer da literatura, não?
    GK

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    1. Na maioria dos casos também acho Gugu! Talvez pela nossa insistência em sempre "dar uma segunda chance", enquanto os homens já desprezam de vez. Pelo menos assim eu via no colégio...

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  4. O diário de Anne Frank é um livro muito fofo. Tenho a versão de bolso dele.

    jj-jovemjornalista.blogspot.com.br

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  5. Meu Deus, que graça colocarem Percy Jackson na leitura da escola! Por mais escolas assim, hahaha. Sofri desse mal que só pediam clássicos, e de tanto entortar a cara pra eles, acabei de cedendo e me apaixonando por esse tipo de livro também. Espero que o governo tome atitudes assim também <3 E sério isso do 50 tons? HAHAHAHA, morri!

    Beijos,
    http://daniperere.blogspot.com.br/

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    1. Que bom que você aprendeu a gostar deles Dani! Pode falar que ajudei também suahsuahsu <3
      É sério, esses dias aconteceu a mesma coisa com Fallen.

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  6. Eu era da época que as fichas de leitura eram livres e isso era fantástico! Minha irmã tem uma aula que é "biblioteca", onde eles ficam por uma hora lendo o que eles quiserem, e eu acho isso fantástico!
    Sempre fui muito incentivada à leitura, tanto que fui autodidata com 4 anos, porém, quando cheguei no ensino médio, peguei uma certa raiva de ler pq me obrigavam a ler livros chatos pra caramba e não me deixavam pegar mais de um livro por semana na biblioteca(sendo que eu lia todo no mesmo dia).
    A falta de incentivo à leitura é muito grande no Brasil. Os jovens querem ler, mas os pais acham que é perda de dinheiro, que é melhor gastar em roupa e tecnologia. =/

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    1. Infelizmente temos que lutar por esse "retrocesso", sempre quando alguém se sente incentivado, vem alguém pra "cortar" esse incentivo. Burocracia. pois é. :(

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