22 de outubro de 2014

“Estou atrás do que fica atrás do pensamento”



Autor: Clarice Lispector| Editora: Rocco | N° de Pág.: 88


"Neste longo texto ficcional em forma de monólogo, Clarice Lispector se confunde com a personagem, uma solitária pintora que se lança em infinitas reflexões sobre o tempo, a vida e a morte, os sonhos e visões, as flores, os estados da alma, a coragem e o medo e, principalmente, a arte da criação, do saber usar as palavras num jogo de sons e silêncios que se combinam. Tudo é revelado através do olhar dessa pintora-narradora, que cai em estado de graça em plena madrugada."

- Sinopse retirada do site Skoob.

Um dia eu disse infantilmente: posso tudo.
Depois de ler "A Hora da Estrela" (resenhei aqui) fiquei impressionada em como a Clarice consegue assumir a personalidade de um outro narrador qualquer e falar como se fosse ele. Mas quem lê sempre acaba se perguntando se aqueles sentimentos realmente são de Clarice ou são todos fictícios. Com Água Viva não é diferente. Ela assume a personalidade de uma artista pintora e solitária, que escreve para um "alguém" masculino.

Um exercício de apreciação e atenção.


A diferença é que nesse livro não há uma história, sequer nem um começo, meio ou fim. Clarice simplesmente vai soltando suas reflexões como se escrevesse no automático e, de um jeito melancólico, filosofa sobre sua solidão, sobre as flores, a alma, vida e morte. E ao mesmo tempo com uma escrita extremamente poética.

"Não quero perguntas por que, pode-se perguntar sempre por que e sempre continuar sem resposta: será que consigo me entregar ao expectante silêncio que se segue a uma pergunta sem resposta? Embora adivinhe que em algum lugar ou em algum tempo existe a grande resposta para mim."

Ao ler o livro me sentia adentrando em um universo que exigia minha completa dedicação e apreciação. Se por um segundo meu pensamento, num descuido, se desviasse, eu já não conseguia compreender o que a autora queria dizer, pois como disse, não há uma narração de uma história, e sim pensamentos falados. Esse livro requer total atenção. Mas garanto que quem lê, mesmo cansado, sente vontade de reler, reler e reler...

Eu admiro muito a coragem de Clarice ao escrever um livro tão intimamente. São 88 páginas de conversa e só quem escreve sabe o quanto deve ter sido desgastante escrever o que se passa em sua mente, assim, sem medo e sem amarras.

"Sou inquieta e áspera e desesperançada. Embora amor dentro de mim eu tenha. Só que não sei usar amor. Às vezes me arranha como se fossem farpas."

Nota: ♥ ♥ ♥ ♥ / 5 - | Leitura média-difícil | Comprar  
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12 comentários:

  1. Gosto bastante da visão das cosias que a Clarice apresenta. As vezes acho que só ela me entenderia... HAHAH

    beijo
    beinghellz.blogspot.com

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    1. Às vezes também penso isso quando a leio.

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  2. Clarice é muito amor! Sempre fico encantada com os textos que vejo dela por aí, mas nunca tive oportunidade de ler algum livro dela! :(
    http://totalmenteanta.blogspot.com.br/

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  3. Nunca tinha visto esse livro antes. Mas, a sua resenha me instigou a querer lê-lo, gosto muito da escrita da Clarice. Ela me ganhou quando li A hora da Estrela. Ela é dimais *-----*

    blog-quemsoueu.blogspot.com.br

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    1. Ela também me ganhou com A Hora da Estrela.

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  4. Sobre a questão dos sentimentos, eu acho que todo livro, todo autor coloca um pouco de seu próprio sentimento para dar um ar de real a seu personagem, então provavelmente muito dos sentimentos do personagem, Clarice deve saber bem como é. Sempre tive uma obsessão pelas frases de Clarice e seus textos, acho que eu ia amar muito este livro, já que como você disse, não é exatamente um livro como desses que somos acostumados e sim, um mergulho na mente e na vida, amei sério, preciso, necessito, estou vendo que quando arranjar meu emprego, estarei gastando tudo em livros :3

    visita se quiser :3 inocentementeingenua.blogspot.com.br

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    1. Esse livro eu peguei na biblioteca! não espera se empregar pra ler não, que você não vai ter tempo haha

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  5. Eu gosto até da Clarice, apesar de ser modinha hoje em dia, ela é uma das únicas pessoas que consegue escrever algo que tem totalmente haver comigo.

    gabriellaquerfalar.blogspot.com

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    1. Modinha? Clarice é clássica! Independente de ser moda ou não hoje em dia, o importante é que a leiam e que a apreciem, fico feliz por muitos jovens se identificarem com ela, isso mostra que ela continua viva. O fato de ser moda não quer dizer nada, desencana!

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  6. Adorei ...amo os livros dela!
    Beijos, Jell e Marcelo
    www.urbanoeretro.com.br

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