13 de maio de 2014

E o seu preconceito aceitável disfarçado de ódio gratuito.


modernoCultura inclui o conhecimento, a arte, as crenças, a lei, a moral, os costumes e todos os hábitos adquiridos pelo homem por fazer parte de uma sociedade como membro dela. Começo citando o exemplo de uma determinada parte do filme "O Cortiço", em que as cenas intercalam-se entre um baile em que o dono dos cubículos fora convidado, e a festa na vila dos negros. De um lado, o baile, a classe, a pose, o status. De outro, a irreverência, o atrevimento, a falta de vergonha. Explicitando as diferenças sociais. Mas os dois podem ser "cultura", certo?

O que você escuta agora: de onde veio?

É incrível ver como as músicas que mais escutamos hoje em dia eram ridicularizadas nos tempos dos nossos avós. O jazz era um ritmo totalmente irreverente, o rock era coisa de rebeldes, o rap coisa de favelado, o samba era uma vergonha, beatles era uma boy band moderninha para garotas estéricas, e até o violão já sofreu preconceito. Obviamente era um choque cultural. Mas o gosto popular uma hora tem sua vez. E veja lá nem é tão ruim assim: do violão dá pra fazer músicas incríveis, e com samba tocando poesias lindas.


"Era impensável, mas o impensável começou a ser dito em voz alta."  Geoffrey Blainey

Olhe em volta e perceba o lixo que consumimos. Só que tudo que vem de fora "é mais bonito". Aquele rock que incentiva o uso de drogas, aquele pop que expõe sexualidade e aquele black que só fala de bens de consumo. Mas você só consegue odiar, assim, do fundo do coração, o funk.

A questão não é o que você considera ou não música. A questão é cultural. Sem dúvida alguma o funk nasceu na periferia. Do mesmo jeito que o samba nasceu na Bahia, na mistura de ritmos dos escravos africanos. O próprio ritmo e letras em si é uma critica. É um ato político. É uma revolta, uma demonstração explícita do que chamamos de "falta de educação". Mas quem é educado no Brasil?

"Me chame de mal educado se o sistema educacional é primo daquele outro sistema, tá ligado?" ― Rashid

O mercado quer vender. Ele fará de tudo para que isso pareça bonito, gere polêmica e por fim gere ódio. Todo mundo odeia funk, funkeiro e favelado. Não existe educação musical na periferia. Mas quando os produtores viram que o pobre quer se ver na tv, eles enriqueceram os MC's. A comunidade se orgulha. E a outra parte os despreza porque sempre foi assim.


"Os pobres não tinham nada. O padre José Pedro dizia que os pobres um dia iriam para o reino dos céus, onde Deus seria igual para todos. Mas a razão jovem de Pedro Bala não achava justiça naquilo. No reino do céu seriam iguais. Mas já tinham sido desiguais na terra, a balança pendia sempre para um lado...” ― Jorge Amado

Esse ódio gratuíto que todos sentem é preconceito, é errado e não ajuda. Um ritmo nasceu nas periferias do Brasil, ele era irreverente e era considerado desagradável. Não sabemos se ele será modificado, melhorado ou se acabará. O que importa é que ele existiu na força de vontade de um jovem expor o que ele queria, o que ele pensava, o que ele via. É feio pra você? É real pra ele. Mas veja só quanta gente se identifica!

Você odeia. A mídia vende. Nada muda a situação. E enquanto nada mudar sempre surgirão piores e piores e piores... E isso não precisa ser tão ruim!

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19 comentários:

  1. Não sou funkeira nem favelada, mas escuto funk hahahaha ... tem cantores de funk e rap que cantam letras com conteúdo incrível que vai além do estereotipo traçado pela sociedade.

    Blog: www.bybiancaconde.com.br
    Fan Page: www.facebook.com/bybiancaconde

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    1. Exatamente Bianca. E é importante que tenham conteúdo, assim como MC Garden (funk) e os cantores de rap em geral.

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  2. Concordo, Suzana. Antigamente tinha muito artista assim e todo mundo adorava. Claro, eu gosto de todo o tipo de música, menos das muito bagaceiras, mas eu respeito e tento ser paciente quando as pessoas vêm falar do meu gosto musical. O gosto é de cada um. E, sim, antigamente eu era muito preconceituosa quanto a isso, mas eu mudei. Se todos gostássemos e pensássemos as mesmas coisas o mundo seria monótono. Todos merecemos respeito.
    Beijos || Unlocked Land ❤

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  3. É incrível como isso caiu como uma luva! Hoje mesmo me deparei com uma situação um tanto quanto inesperada... Um amigo, em uma rede social, postou que a Valeska Popozuda tinha usado uma camiseta do Guns N'Roses em um show dela... Logo apareceu uma menina pra dizer que gostava de Guns assim como da Valeska e em seguida um guri pra falar que pessoas como ela faziam do Brasil um "circo"... Por que ele gostava de rock, e rock é o que presta e fim.
    Vou deixar aqui o que comentei depois de estar cansada da imensa discussão dos dois e que reflete bem o que eu penso sobre o assunto:
    "Eu não gosto de funk e nem nunca ouvi nenhuma música dela (além daquela do beijo no ombro kk) ao contrario de Guns que é minha banda favorita *.* Agora independente dos motivos que ela teve pra usar essa camiseta, por que dar tanta atenção né minha gente?
    Apenas lembrando: hostilizam o funk por ele falar de putaria e bebedeira ostentação mas as bandas de rock (pelo menos Guns que a que eu conheço o suficiente) fala exatamente das mesmas coisas, drogas e putaria. Não entendo o por que de tanta revolta. Cada um faz o que quer, esculta o que quer e veste o que quer! Se você gosta de rock deveria saber que ele prega a liberdade e sendo assim cada um é cada um e ninguém tem nada a ver com isso."
    O mais engraçado é que depois disso a discussão parou.

    Adorei ler o seu texto, amei mais ainda as citações que você colocou muito bem! Um trecho de Rashid e Capitães da Areia do velho Jorge no mesmo texto é realmente pra celebrar as diferenças! <3 P.S: desculpe o comentário gigante!haha

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  4. Eu até concordo com o texto, mas convenhamos que tem os funks críticos ou românticos, que graças a melodia são apenas ruins, e os 'proibidões', que são só baixaria e_ê

    Beijos, Vickawaii
    http://finding-neverland.zip.net

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  5. Suzana adorei seu comentário, muito bom post, eu escuto funk e gosto, mas algumas pessoas veem com preconceito, mas gosto de outros estilos e vejo preconceito também no forró e sertanejo, o mas o que digo é sempre todo estilo vai ter quem ama e quem odeia, mas sim tem muito discriminação em alguns, beijinhoos

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  6. Quem minimamente entende de arte respeita mesmo a que lhe desagrada.
    GK

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  7. Eu não escuto funk, e não sei como isso pode fazer sucesso.
    Não consigo ver conteúdo nisso.
    Droga de questão cultural!
    Beijos, Aline
    http://24diasdeprimavera.wordpress.com

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    Respostas
    1. A falta de conteúdo provém da falta de educação e a culpa não é do povo. O sucesso social é inevitável, o da tv é questão capitalista

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  8. adorei o post. Acho que o que falta é respeito, o mundo é essa diversidade toda e temos que respeitar os gostos e estilos de cada um. Não é porque eu não curto um certo estilo musical que eu vou desrespeitar, chingar ou sei lá o quê. Tem coisa que não tem conteudo, claro que tem as fazer o que se tem gente que gosta e curte?

    www.amoorarosa.blogspot.com.br

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  9. Gostei do seu texto, bem interessante.
    O funk não é de todo mal, pois expõem em parte uma cultura...
    Bjs

    http://achadosdamila.blogspot.com.br/

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  10. Adorei o texto!
    Não tenho nada contra o funk, mas é um estilo de música que não curto muito não.
    Beijos!
    islary34.blogspot.com

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  11. Eu sinceramente odeio funk acho as letras muito feias nada ver comigo mais respeito muito acho que cada um seu gosto e sua cultura temos que respeitar ... beijos muito bom o texto ... http://loucaapaixonada22.blogspot.com.br/

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  12. Eu não curto, não gosto kkkkk
    Mas respeito quem gosta.

    bjokas =)
    obs. to seguindo

    meusegredosbell.blogspot.com.br

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  13. Texto super interessante.
    A mídia vende o que quer, não é?!
    beijos
    http://cookierobsten.blogspot.com.br/

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