22 de julho de 2012



Hoje parei para ver a lua e minha mente se transportou. Fui para o tempo em que eu colocava tapetes na laje de casa, deitava e ficava vendo as estrelas. Cresci e o que era laje virou sótão. Passei a perder o medo dos fogos de artificio que tomaram o lugar das estrelas, para "colorir" o céu. Pensava que as nuvens a escondiam e hoje percebo que é a poluição de quem as conheceu.
Ainda caminhava, quando meu pai percebeu. A lua agora estava atrás das poucas árvores que restaram do "calipau", uma tentativa falha do ex-prefeito da cidade de trazer um ambiente saudável para nós, já que passaram a fazer "maldades" as escondidas por lá. Quando eu era menor achava ser uma floresta cercada, pensava existir onça lá. Depois de já esquecido, os moradores passaram a usar para "cortar caminho" e na primeira vez que entrei gostei de todo aquele mato e árvores. Algumas partes estavam queimadas. Lá no meio tinha um campo, e na minha inocência vi meninas abraçadas com maconheiros fumando em plena luz do dia. Minha mãe sempre saia mais cedo para irmos pela trilha que não passasse pelo campo, eu nunca entendia o por que.
A prefeitura convocou a vila para uma palestra em uma escola em frente de casa, onde mostraram novos planos para o que era agora "antigo calipau" e passaria a ser "SESC", com piscina, lazer e esportes. Vi da varanda de casa as árvores de lá caindo, uma a uma, sem dó. A nossa população toda se entristeceu. Ainda não foi inaugurado, mas a entrada é asfaltada e com gramado dos lados. Sumiu a casa de madeira do catador, a banquinha improvisada do moço que vendia água e nunca mais será uma floresta com leões e elefantes, na cabeça das novas gerações.
Mas meu pai notou a lua e desconfiado disse: "-É a lua mesmo?" - Eu disse: - Sim, eu a acompanhei no caminho. - E então lembrei daquele muro, onde lá nos fundos morava uma senhora e eu abraçava meu "primeiro amor". O muro foi derrubado junto com a casinha que no quintal tinha uma horta e um balanço para a neta. Subiram dois sobrados grandes, com portões fechados, cor cinza e placas de "vende" na frente.
E agora estou vendo que nem sequer viram as minhas partes, a minha história que estavam no muro, nem sequer poderei mostra-lo aos meus filhos, e meus passos na "grande floresta" foram todos varridos, pedaços da minha infância viraram entulho, lixo. Minha, e de tantos outros.
Sinto que as crianças e pessoas no futuro terão que andar com memória externa para guardar nela a vida e poupar o cérebro para apenas lembrar-se dos tantos compromissos, obrigações, sonhos e metas para o futuro. O que for passado, agende uns minutos para ligar no tablet (ou seja lá qual for a tecnologia), liga, dá um efeito de envelhecido e pronto. Sem chorar, para não borrar a cara maquiada, daqui a pouco temos compromisso.

Suzana
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26 comentários:

  1. Eu amo demais a natureza e a calmaria, e por isso para mim é realmente triste saber que em todo canto as pessoas tem destruído a vida, e a imaginação de tantos.

    eimarvin.blogspot.com

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  2. Nha, que texto grande! não vou poder ler ele todo agora, mas vou voltar para terminar de ler, até onde eu li estou adorando!
    beijoos

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  3. que texto lindo ! *_*
    http:/blogandocomtatah.blogspot.com/
    :*

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  4. Que lindo... amei o post!
    Adorei o blog e estou seguindo.

    beijooos

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  5. Triste, mas é a realidade. Seu texto me fez lembrar daqueles textos da olimpiada portuguesa que passa na televisao, com certeza se esse texto fosse para lá venceria, pq ele expressa a verdadeira realidade de uma cidade grande

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  6. adorei o texto, muitoo bom!
    beijoos, querida!

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  7. Muito bonito o texto, gostei bastante
    http://primeirapessoa-dosingular.blogspot.com.br/

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  8. Amei o texto, muito bom mesmo. Ah flor tem selinho lá no blog para você *-*

    http://lacodecabelo.blogspot.com.br/

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  9. Suzana acho que eu iria amar ler um livro seu rsrs, adoro seus textos, não são cansativos e sempre fico curiosa pra chegar ao fim deles. parabéns.
    beijooos e ótima semana

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    1. bom saber, quem sabe um dia eu não publico um né? vou cobrar haha

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  10. Adorei o post!
    Parece a gente daqui um tempo com nossos filhos correndo pela casa, as coisas mudam tão rapidamento, mas não podemos esquecer jamais o que marcou o nosso tempo!


    Bjs
    Blog: Blog Worspite Noivas
    Loja Virtual: *Produtos em Promoção*

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  11. nossa, você que escreve ? mto lindo.. você tem talento.

    xoxo :*
    http://mini-fofoquinhas.blogspot.com.br/

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  12. Uau, hein? Adoro os teus textos sempre tão críticos. Mas é bem verdade. Minha vida toda eu morei em uma granja, cresci junto com as árvores, costumava plantar muitas quando pequena. Há uns dois anos, me mudei pra cidade grande e confesso que sinto muita falta de todo aquele verde e calmaria. Daqui há um tempo, árvore vai ser coisa que a gente só vê em museu.
    Beijinhos

    www.hiperbolismos.blogspot.com

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    1. verdade!! Vai virar coisa de museu! o_Õ

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  13. Nossa, vc escreve tão lindamente, de uma forma tão leve *-*
    Tenha uma excelente semana ^^
    BEIJO!

    http://www.bycarolinaa.blogspot.com.br/

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  14. Pior que é verdade amiga, compromissos, compromissos, compromissos... =/
    Beijos :*
    Nos olhos de quem viu

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  15. To impressionada com o quanto você escreve bem. Adorei o texto!

    Dá uma passadinha no http://cindereladementira.blogspot.com.br/

    Se gostar, vota nele pra ganhar o concurso: http://blog-foreverpretty.blogspot.com.br/2012/07/concurso-blogueiros-arrazam.html (Ta no canto direito do blog, obrigada!)

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  16. Que texto lindo!
    As crianças no futuro não saberão mesmo o que é isso ;*

    Beijos,
    http://placestyle.blogspot.com.br/

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  17. Lindo texto Suzana, lembrei de quando criança ficava com meu pai olhando para céu, contando estrelas, vendo a lua...quando era lua cheia era o comentário na rua, hoje não tem mais isso, meio difícil! Adorei seu texto, todo mundo anda sempre muito ocupado e com muita coisa na cabeça :* beijinhoos, acho que dei uma viajada, mas enquanto lia seu texto me deparei com algumas lembranças

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    1. sim, escrevi esse texto em um momento nostálgico, faz lembrar mesmo :}

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