25 de maio de 2015


Autor: José Lins do Rego| Editora: José Olympio | N° de Pág.:  248

"Fogo Morto (1943) é o décimo romance de José Lins do Rego e foi considerado pela crítica desde o princípio como uma obra-prima. O texto gira em torno de três personagens – José Amaro, Luís César de Holanda Chacon e o capitão Vitorino Carneiro da Cunha (maior personagem não só do livro, como de toda a obra de Lins do Rego). É um romance essencialmente triste e com uma presença forte de loucura (uma das obsessões do autor, assim como morte e sexo. A história se desenrola em torno do engenho de Santa Fé." - Sinopse Skoob

Uns dos nomes que conheci no terceiro ano do ensino médio foi do grande escritor José Lins do Rego, conhecido por seus romances regionais. Ainda com vontade de conhecer suas obras, fui até a biblioteca e pedi orientação de qual romance seria bom para começar. O orientador letrado pela USP foi muito agradável ao me indicar Fogo Morto com brilho nos olhos, romance pelo qual, segundo ele, é apaixonado e já leu sete vezes. Olhar inspirador esse que me fez escolher de cara Fogo Morto ao invés de Menino de Engenho (romance menor e mais exigido em vestibulares)

O romance é dividido em três partes, a primeira, que narra a vida do Mestre José Amaro, personagem pelo qual me apeguei muito, homem de personalidade muito forte, apesar da extrema pobreza de iluminação mental e espiritual. Ele é casado e tem uma filha que, com 30 anos nas costas, não casa e desenvolve problemas mentais. Mora em uma parte do engenho de Santa fé, sua família é sua maior frustração e tem como herói o Capitão Antônio Silvino, cangaceiro.

A segunda parte narra a vida do Coronel Lula de Holanda, dono do Engenho, homem dotado de estudos e aparências, que não tem minima vocação para administrar o Engenho de Santa Fé, herdado após a morte do sogro Capitão Tomas Cabral de Melo. É visto como hipócrita, por ser muito religioso e ao mesmo tempo ser cruel e impiedoso tanto com sua família quanto com os negros escravos. Apesar de quase falido, mantém a todo custo o orgulho e a fama de Senhor do Engenho.

A terceira parte narra a luta política do Capitão Vitorino, muito atrapalhado, mas que com muita determinação toma para si as lutas do povo contra a desigualdade social. É tratado como louco, recebe o apelido de papa-rabo, pelo qual muito o incomoda. Remete um pouco à figura de Dom Quixote, nos arrancando até boas risadas, porém nesse ultimo capítulo José Lins do Rego nos apresenta o verdadeiro espirito do homem que luta, que vai para a cadeia, que acredita na força do voto e por onde passa com sua égua tenta persuadir aqueles que desacreditam da justiça.


Através de três capítulos, narrados de forma muito sensível, José Lins do Rego nos apresenta os personagens principais do Nordeste do século XX, com suas hipocrisias, suas ideologias e todos seus sofrimentos. Observei o quanto o Mestre José Amaro e sua esposa gostariam de casar sua filha, sendo que eles mesmos tinham um casamento totalmente falido e a pobre Marta (a filha) certamente não teria um futuro diferente, se não fosse tamanho descontamento, que a levou a transtornos mentais.

A decadência do Engenho é brilhantemente exposta nesta critica de José Lins, pois podemos enxergar três (ou até mais que isso) extremas formas de pensamento, que buscavam na sua ignorância, mudar ou manter as coisas como lhe cabiam. Enxergar também como a sociedade evolui, entender que todo esse conflito se deveu por preconceitos totalmente equivocados enraizados na sociedade que até hoje tanto tentamos mudar e evoluir.

Essa obra encanta não só pela carga de realidade que ela tem, mas principalmente pela escrita sensível, envolvente e encantadora de tratar com tamanha minuciosidade personalidades tão diferentes, que tinham nome, sobrenome, sentimentos, ações, paixões e impulsos. Personagens que cativam, que fazem rir, que fazem chorar, que nos enchem de raiva e, principalmente, nos enchem de uma vontade de ajuda-los, se sacudi-los, de abraça-los, de tomar suas dores para si.

Nota: ♥ ♥ ♥ ♥ / 5 - | Leitura média 
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24 de maio de 2015


Autor: Shakespeare| Editora: L&PM | N° de Pág.:  160

"Romeu e Julieta - Em Verona, na Itália, por volta de 1600, a rivalidade entre os Montecchios e os Capuletos acentua-se e os conflitos estendem-se a parentes e criados, apesar do apelo do príncipe pela paz. Num baile de máscaras na casa dos Capuletos, Romeu Montecchio conhece Julieta Capuleto. A paixão é mútua e instantânea. Ao descobrir que pertencem a famílias inimigas, os dois se desesperam. Resolvem casar-se secretamente, com a cumplicidade de frei Lourenço. No entanto, o destino desse amor seria trágico." - Sinopse Skoob


Romeu e Julieta é um romance trágico, um dos primeiros clássicos de William Shakespeare, a qual alavancou sua carreira, que mais tarde ganhou o título de maior poeta e dramaturgo inglês, nos anos de 1590 a 1613. A peça conta a história de um casal apaixonado que descobre que suas famílias são rivais e que nunca poderão continuar juntos. Mesmo assim, eles resolvem casar-se às escondidas, com as bençãos do Frei Lourenço. Porém as coisas não acontecem como esperado:

Romeu se envolve em uma briga, e acaba cometendo homicídio, sendo expulso da cidade, enquanto Julieta é dada em casamento a Páris, pelo seu próprio pai. Indispostos a desistir dessa bela história de amor, Julieta procura o Frei, que apresenta uma solução: ela tomaria uma poção que a faria "parecer morta",assim se livrando do casamento forjado, e Romeu iria busca-la enquanto todos pensariam que ela estava morta.

Porém mais uma desgraça se segue: Romeu acaba sabendo da morte de sua amada antes de o avisarem do plano. Muito triste, ele decide beber veneno do que viver sem Julieta. Quando Julieta acorda e descobre a morte de Romeu, suicida-se. 

Li o livro na edição de bolso simples da editora L&PM. A capa é bonita e combina com o clássico, e por ser uma leitura rápida, esse formato proporcionou praticidade. A escrita de Shakespeare é maravilhosa, além de transportar-nos apaixonantemente à Verona do século 16, incluindo brilhante critica aos costumes da época.

Recomendo a todos lerem pelo menos um dos grandes clássicos de Shakespeare, para se encantar com esse estilo romântico maravilhoso, e entender um pouco a sociedade da época. No caso, encontramos situações pouco comuns: famílias rivais, casamento forçado, além da atuação cômica do Frei todo perdido.

É uma bela história de amor? Confesso à vocês que não posso afirmar isto. A história em si não me convenceu de grandes amores, e sim de uma mera paixão entre dois adolescentes mimados que nada sabiam sobre o amor. Sobre isso escrevi no texto, em conjunto com a Jhully Inácio, "Romeu e Julieta morreram, e eu não quero morrer tão cedo". 

Não acredito em amor à primeira vista, tão pouco vejo amor como um sentimento que a gente não tem escolha sentir. Estranho essa coisa de amar sem nem tão pouco saber o nome da pessoa! Mas quem não fica louco por um proibido, né? Imagino só o quanto foi confuso para a cabecinha dos dois. Não vou questionar o amor por aqui, até porque um dia ele pode acontecer, mas definitivamente não tomo Romeu e Julieta como inspiração.

Porém aqui deixo claro que não posso criticar uma clássico de Shakespeare, só questionar o que nós, seres pensantes do século 21 tem a se encantar com uma tragédia tão atormentante. 


Nota: ♥ ♥ ♥ ♥ / 5 - | Leitura fácil-média 
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21 de maio de 2015


Pintei as unhas de vermelho. Jurei que agora as coisas poderiam ser diferentes. Meus planos para esse ano ainda estão em branco. Minhas palavras se tornaram um vácuo, um grito no escuro, e meus objetivos se tornaram um fardo. Me chateei com a vida. Às vezes as músicas tocam e meus olhos se molham, no ônibus, no show da minha turma, no meio do trabalho. Muitas delas dizem tudo que não consigo dizer. Os olhos se encharcam, e há um aperto no peito, uma sensação de "não foi dessa vez".

Queria muito entender como foi, o que aconteceu comigo, para que eu fosse essa garota de óculos e cabelo desgrenhado que se tranca no quarto e escreve para o computador. Queria saber onde me perdi nesse caminho, onde perdi a graça, onde perdi aquilo que eu jurava que seria eu. Não é, não fui.

Sinto falta de quando o tempo não pesava nas costas, de quando correr não era tão cansativo, de quando chorar aliviasse. É que com o tempo se aprende, que de nada adianta chorar. Fiquei de mal com a vida. Não, ela não precisava me deixar de cama justo quando eu disse que iria trabalhar melhor, ou fazer aquela moto me atropelar quando eu disse que chegaria em casa dessa vez cheia de energia para mais. Ela tinha que me pegar, me jogar no chão, e não ter pra quem contar, não ter pra quem chorar, não ter pra quem desabar. O tombo acho que nem doeu, quando lembro que levantei sozinha.

Se perguntarem, estou bem. Como é que vou explicar que tá dolorido? Que ando com medo? Que o choque assusta, que nascem monstros... Eu apenas sigo em frente, atravesso as ruas, sinto a tontura. Derroto um monstro, dois, três. Não, não de salto alto. Não, não de maquiagem e cabelo impecável. Não, definitivamente não esperando príncipe encantado. To cansada demais pra ser superficial, cheia de não-me-toques, princesinha. 

Eu não tenho cavalo branco, monto minha vida, que é um quebra-cabeça... Dá um desconto pra eu ser eu mesma, vai...


19 de maio de 2015

disney
A minha frustração foi maior que a minha curiosidade. Eu estava tão empolgada pra assistir esse filme que assim que lançou eu fui correndo assistir. Peguei fila, comi metade da pipoca, tomei todo o refrigerante e fiquei morrendo de vontade de fazer xixi. Sem contar o frio que estava dentro da sala de cinema. Ou seja, poupem seu dinheirinho.

Em primeiro lugar: eu ODEIO musicais, tenho um trauma enorme depois que assisti Os Miseráveis. O filme é um musical. SHIT!

O filme interliga os famosos personagens dos contos de fadas: Chapeuzinho Vermelho, João (o do pé-de-feijão), Rapunzel e a Cinderela. Até ai tudo bem. Os contos de fadas se ligam quando a bruxa (interpretada maravilhosamente pela Meryl Streep) chega a uma padaria dizendo ao coitado do padeiro que o pai dele tinha roubado o passado dela e que ele vai pagar por isso se não trouxer tudo o que ela quer para fazer uma poção. O padeiro e sua mulher tem que trazer todos os ingredientes pra bruxa até a meia noite do terceiro dia. A bruxa pede: uma capa vermelha como sangue, uma cava como leite, um cabelo como milho e um sapato de ouro. Ai é que tudo fica obvio porque por cada objeto pedido vocês já sabem de que personagens são.

jonny depp
Sim, Jonny Delícia Depp aparece. Mais não pensem vocês que a presença dele é fundamental para o filme, muito pelo contrário. A aparição dele é curta porém, diva. Eu particularmente me decepcionei muito com o filme, eles cantam muito e a voz de alguns personagens são chatas e esganiçadas. Achei o final trágico demais e achei que a Disney pecou MUITO na questão dos efeitos. O tempo todo você percebe que a floresta não ta ali, que nada ali é real, e isso é realmente algo frustrante vindo da Disney. Personagens divos? Sim. Figurinos e maquiagens impecáveis? Sim. Porém, a história poderia ter sido melhor explorada e menos cantada. Achei bom o que interligou todos os personagens, mais é aquele tipo de filme que não da pra engolir.




Por mais que eu esteja acostumada com a cantoria dos filmes da Disney achei que nesse filme foi exagerada, e o clichê de que devemos sonhar e mimimimi ficou bem obvio: "Cuidado com o que você deseja, pois pode se tornar realidade". Ao contrário dos  filmes atuais da Disney que conseguem arrancar algumas lágrimas, esse filme me deu apenas sono, nenhum outro sentimento além disso. Super sem graça.

E ai concordam com minha opinião? Espero o debate nos comentários! ♥
Beijos, até a próxima!