26 de abril de 2015

Paixão é o que nos move...


Eu tinha como meta na vida ter meu primeiro emprego em uma livraria. E foi um dia por acaso que eu levei um currículo na loja da cidade. Em mais ou menos uma semana eu estava contratada. Dizem por aí que o primeiro a gente nunca esquece. Mas esse realmente eu não terei como esquecer. Todos os dias acordo cedo e vou para um lugar pelo qual sou apaixonada, para aprender sobre algo que gosto e enfrentar desafios, como lidar com clientes e realizar vendas (que é bem mais complexo do que imaginamos). Peguei um gosto particular de passar meu tempo de folga em bibliotecas, da escola ou pública, só para estar ainda mais mergulhada nesse universo, e nessa companhia e, como se não bastasse, estou fascinada por esse universo de vendas, que tenho adquiro muito conhecimento no curso de marketing.

A primeira coisa que digo a vocês sobre meu emprego é: "NÃO, EU NÃO PASSO O DIA TODO LENDO". Por mais que seja do agrado da minha chefe que a gente saiba um pouco sobre todos os livros novos e velhos, seus respectivos lugares, preços e para qual público indicar, é fora de questão ler um livro que vamos vender logo em seguida. Não temos tempo pra isso, estamos sempre guardando o que chega, conferindo nota, separando encomendas, atendendo clientes, tirando pó, organizando... E no final, o que resta é apenas "dar uma folheada" em algum título ou outro, ver rapidinho do que se trata, com todo cuidado pra não marcar nem danificar o livro.


Ser vendedora é estar à disposição. Às vezes você não está legal, mas abre um sorriso, porque sabe que um ambiente agradável se dá com pessoas agradáveis. Algumas pessoas sorriem de volta, outras não. Uma pena que a maioria não costuma retribuir. Seja por timidez, seja por não querer um vendedor no seu pé ou por ignorância mesmo. Não é meu trabalho julgar. Geralmente as pessoas não esperam da gente apenas respostas... Eu percebi isso e estou aprendendo a conversar. Ou então, dependendo dos casos, a ouvir. Pois há pessoas que tem tanto a dizer e não esperam resposta alguma... Parecem até seres divinos que tem uma mensagem a entregar. Essas ligações, essas trocas, eu lhes garanto que elas não tem preço.

Como gosto de comentar com colegas, cada pessoa que entra na loja é única e tem suas peculiaridades. É bom, de alguma forma, contribuir para que um problema se solucione, ou que uma vontade seja "saciada". Por outro lado preciso sempre me recordar o quanto não sou perfeita, pois se depender das pessoas, elas não perdoam. Esse é o "poder" que por falta de humanização muitos não sabem administrar. 

Dia desses uma garota estava junto à sua mãe escolhendo alguns livros... Ela me chamou. Colocou três livros com capas obscuras sobre uma bancada e disse para mim: "Me ajuda a escolher? Não quero nada que seja de terror". Eu olhei para as capas dos livros e quase falei: "Mas só de olhar para esses livros eu já fico com medo, moça!"... Não digo pois sei que o que pode ser pra mim, pode não ser pra ela. Conversamos até chegar em uma conclusão. E ela pareceu satisfeita com sua escolha.

Indicar livros é sempre muito difícil, pois sempre tive comigo que ler livros indicados é bom, mas é muito melhor quando um livro "te escolhe". Você olha pra ele, ele te olha e a história de amor começa aí. Cada pessoa tem um gosto, um sentimento, uma bagagem cultural que permite que ela leia um livro e goste... Ou não. Mas tudo depende muito do momento, da maturidade, do quanto você está disposto a compreender a mensagem que o autor quis passar. Não há sensação mais gostosa do que indicar livros para pessoas que compartilham do mesmo gosto, numa simples venda acabamos conquistando amigos... Porém há pessoas que pedem por aquele "romance medieval, com suspense mas sem terror e uma pitada de comédia" que complicam e muito minha vida! Eu olho desesperada para todos os livros testando a sorte para ver se me lembro de algum e tudo que eles fazem é uma cara de pena para mim.

Pois bem, como minha gerente costuma dizer, nossa mercadoria não é comum. A gente não vende pra nenhum público específico, não vende pra dar status, não vende pra incentivar o consumismo dilacerado, não vende para satisfazer egos... Nosso comércio é o conhecimento, é a companhia de um bom autor, é uma arte que guardamos, que apreciamos, que interagimos, que nos fascinam.

Encerro esse texto com um trecho da música Linhas Tortas, de Gabriel O Pensador:

"- Que que é isso aí? É droga?
- Não, mas faz quem usa viajar!
- É o que... arma?
- Não, mas faz quem usa ser mais forte!
- Que que você vai fazer com isso?
- Eu vendo isso pra quem tem o poder de compra
dos que não podem comprar e ajudo a aplicar no povo,
explico o modo de usar. Eu vendo livros cara!
- É um bom negócio?
- Honesto e bom, pode crer! E a melhor parte
é poder entregar e saber que alguém vai ler."

25 de abril de 2015

O ultimo ano é uma loucura, ainda mais quando se é aluno de escola pública. Você se preocupa com as greves, porque precisa aproveitar ao máximo para o vestibular, por outro percebe-se que pode faltar mais do que sua mãe deixaria... Você se preocupa muito com o ENEM, porque precisa de um bom desconto ou de um bolsa como ninguém, porque se dá conta de que não vai dar pra bancar sua faculdade... Foi assim que meu ultimo ano passou. Eu li loucamente vários livros, faltava uma vez por semana e entreguei o máximo de trabalhos atrasados. Não por relaxo, e sim por desanimo!

Constatei então que terminar a escola não passava de uma obrigação.

"Concluir o ensino médio" não foi uma luta, não foi uma vitória, foi mesmo coisa da vida. Porque depois que a gente conclui o ensino médio, a gente cai no mundão, e o mundão é diferente do mundo de conto de fadas da escola super protetora. Tenho que me virar, tenho que dar conta de tudo sozinha, preciso arranjar o que fazer e se quiser aprender é por conta própria. Não é porque vão ligar pros meus pais, não é por sermão da diretora, não é só cabular e acabou.

Eu não comi merenda todos os dias para pagar formatura. Meu pai estava desempregado, eu não tive nem coragem de pagar aquela camiseta de 50 reais, quanto mais uma formatura! Eu recebi alguns certificados que me deixaram emocionada e o ultimo dia foi uma sensação estranha de "acabou". Mas essa hora tinha que chegar, e eu aproveitei o máximo que pude, não tanto as "zoeiras", as "risadas"... Aproveitei os aprendizados e os professores, sempre dispostos a repassar tudo que entendiam e sabiam, e acho que só disso que sinto falta.

Não sou contra quem fez, quem irá fazer... Acho justo comemorar os ciclos que se encerram! Mas sinto muito, concluir o Ensino Médio em escola pública não foi motivo de comemoração. Das seis aulas do dia, às vezes aproveitávamos apenas uma ou duas, e sei que existem escolas em situações piores. Concluir o Ensino Médio com louvor foi o mínimo que eu poderia fazer, foi um ato político.

Entrar na faculdade, de graça, também foi um ato político. Trabalhar com livros, foi um ato político. Almejar a pós, almejar ser porta voz do povo, foram decisões políticas. Escrever esse texto também. O tempo não era propício a festejar. Por que? Porque eles nos dão migalhas pra gente se contentar como se fossem um grande café da manhã, mas só sair da caixa por um momento, você percebe que não é.

Portanto acho muito mais justo que nós, jovens, deixemos de lado as distrações, o "pão e o circo" para nos preocuparmos em mudar, a escola quem faz é o aluno e o conhecimento não é algo que podem nos entregar nas mãos, assim tão fácil. A gente quer um Brasil melhor? Sim! Mas também queremos zoar, também queremos "sair por cima dos outros", queremos que os vestidos da formatura sejam amarelos ou vermelhos... E claro que queremos ficar com aquela menina ou aquele garoto. Poxa vida, quando é que a turma vai perceber que sem conhecimento não há revolução e que ele é a nossa arma, nosso maior e mais forte manifesto? 

24 de abril de 2015



Você já amou hoje?

Já disse "eu te amo" para aquela pessoa especial, que você é tão grato por tê-la consigo? Quando você levantou pela manhã com o café já na mesa disse "bença mãe", "bença pai"? Ou quando acordou ao lado de quem você ama, desejou um bom dia? Faça isso hoje. Faça isso sempre.

Nós nunca sabemos quanto tempo ainda nos resta. Ou quanto tempo tem ao outro. Você não sabe quanto tempo tem sua mãe, quanto tempo tem seu pai, seu irmão, sua irmã, seu esposo, sua esposa... Você não sabe quando será o último abraço, o último beijo... Por isso, abrace hoje. Beije hoje. Não importa de onde estiver lendo isso, chegue em casa e faça. Não importa se estiver distante, ligue. Diga. Não importa a forma, apenas ame.

Após a perda é muito tarde. E a gente nunca sabe quanto tempo falta. Aliás, e se hoje fosse o último dia? Ame o quanto antes!

23 de abril de 2015


Janeiro é o mês mais trabalhoso na livraria. Os pais chegam a nós, atendentes, e nos entregam um papel timbrado com a denominação de alguma escola, contendo uma lista enorme de livros para o ano letivo. Como sempre estudei em instituição pública, nunca fui familiarizada com esse tipo de lista. Ganhamos todos os livros didáticos, e alguns anos tivemos apostilas e também kits com livros paradidáticos. Eu sempre fui grata por isso, já que o sistema é falho e geralmente não atende a todas as escolas por igual.

Mesmo com todos os contratempos, o primeiro livro que li foi da biblioteca da escola. E alguns anos depois, o livro que "me escolheu" e me fez embarcar de cabeça nesse universo literários foi um dos três primeiros livros que ganhei do governo. Por isso acabei pegando gostos por literatura brasileira, clássicos e poesia, que era geralmente o que vinha nos kits que recebíamos. Erico Veríssimo, Manuel Bandeira, Machado de Assis foram alguns dos primeiros autores que tive contato. Com isso acabei desenvolvendo esse gosto por clássicos, que fez com que "obras obrigatórias" não passassem de mais um belo livro que eu apenas queria ler.

Mas não falamos muito sobre "qualidade" de leitura, pois vinha aprendendo e hoje minha chefe reforça que por mais "bobo" que seja um livro, ele sempre contém uma mensagem e uma lição por trás, vai depender do leitor e suas percepções, estamos sempre aprendendo a "ler" a vida e nossas experiências com as obras tem tudo a ver com isso. E é por isso que não desvalorizamos nenhum tipo de leitura, sempre incentivamos mais e mais.

O Diário de Anne Frank, O Pequeno Príncipe e Meu Pé de Laranja Lima são adotados por vários colégios, não por acaso, sendo livros que trazem uma bagagem cultural incrível a quem estiver disposto a receber, digo, são livros que deve-se ler não apenas como entretenimento e sim com a mente e o coração abertos para entender melhor (1) a vida-comum em meio a guerra,  (2) as lições mais simples da vida que esquecemos ou (3) a realidade do menino pobre que com apenas 5 anos sofre como um adulto, por exemplo.

O que eu pude notar é que as escolas particulares muitas vezes mesclam os paradidáticos com livros de leitura, algum tipo de estratégia para atrair os possíveis leitores indispostos. Muitos pais reclamam na hora de comprar os livros, geralmente eles estão na faixa de R$ 40,00 justamente por serem paradidáticos. São livros que não contém nenhuma atração na capa e a maioria são fininhos, mas sem dúvida todos contém tesouros entre suas páginas. Por outro lado, quando o livro é grande, os pais acham que as escolas estão "abusando" e até mesmo caçoam e duvidam da capacidade de seus filhos lerem os livros (já que eles mesmo não conseguem).

Mas cá entre nós: a criança, quando em contato com os livros, se apaixona. Minha irmã mais nova é prova disso. Sempre a incentivei e hoje ela escolhe sozinha na biblioteca os livros que quer ler. O tamanho do livro nunca assusta a criança. Aos 10 anos minha irmã já leu um livro de 300 páginas e me contou cada detalhe.

Alguns dos títulos que me deixaram surpresa de ver em listas escolares:

Se na minha escola pedissem para eu ler "O Lado Mais Sombrio" para fazer alguma prova, eu compraria a trilogia toda de uma vez! Ou então uma obra de John Boyne? E que grande estratégia da escola que adotou o primeiro livro da saga Percy Jackson.

Vocês acham que dá certo esse tipo de "incentivo"? É muito complicado falar sobre isso, já que é muito difícil alguém desfrutar de uma leitura quando se sente obrigado a ler. Mesmo assim, é muito mais fácil gostar de ler quando se começa com um livro de linguagem fácil e que dê pra entender, sem ser cansativo.

Um fato engraçado: Nessa onda de livros para escola, já vieram pais procurarem por 50 Tons de Cinza alegando que os filhos disseram que era livro para prova (chega a ser cômico!) e não parando por aí, essa tática é muito usada pelos alunos para fazerem os pais comprarem livros, que sempre ficam confusos quando se deparam com as mil páginas do Stephen King que "a professora pediu pra ler" e etc.

Esse post tem várias referências legais sobre os livros citados:


Esse foi o papo de hoje. Até amanhã! ♥